O Estranho Mundo de Jim Burthon - Primeiro Dia (parte 3)

III
Ser um garoto na idade de doze anos não é uma coisa muito fácil. Os adultos ficam enchendo o saco, dizendo que somos grandes, que devemos fazer o para-casa, devemos pensar no futuro, estudar etc.... Mas dizem ainda que somos pequenos, que não podemos e nem mandamos no nosso próprio nariz. Tolos e indoutos. Meu nariz mexe as beiradinhas quando eu quero. Ou quando eu estou rindo demais ou chorando.
*
A cada momento que eu ia correndo e chegando mais perto do grande centro de cogumelos, eles ficavam maiores e mais bonitos. Depois, reparei que as manchinhas vermelhas emanavam luz e que havia uma grande cerca ao redor deles. Eu estava longe ainda, e não tinha recebido que se tratavam de cogumelos gigantes. Era uma cidade comercial, chamada criativamente de Cogumelândia, a cidade dos negócios viajantes.
Pelo visto, Cogumelândia era uma espécie de metrópole local. Cheia de asfaltos feitos de petróleo-caramelo e de luzes vermelhas dos próprios cogumelos gigantes, deveria parecer uma árvore de natal á noite. Imagino no natal.  A placa da cidade estava pendurada logo na entrada, e quando eu passei por esta, pude perceber seus estranhos habitantes. Eles eram todos coelhinhos, tipo animaizinhos da floresta que pareciam inofensivos e indefesos, mas que aqui estavam de terno e gravata, carregando pastas e falando ao celular-tablete-de-chocolate, com a possível mulher em casa cuidando dos filhotes, ou sobre a queda no mercado de cenouras.
Quando eu entrei em Cogumelândia, os supostos cogumelandianos começaram a me fitar estranhamente, com uma cara de: “-Cuidado, há um leão entre nós!” Ou até mesmo de: “- Ele vai nos comer, saiam de perto!”. Mas eu ainda não entendia o maravilhês. No céu-verde-grama de verão, eu via os cogumelocopteros voando por sobre mim e provavelmente fazendo notícias bizarras. Nas ruas, apareceram comboios de carros enormes com adesivos e com os FPPCMN, que significava: Força Policial Preservadores da Continuidade da Maravilha Natural. Deles, saíram coelhos armados até os dentes com cenourarmas, vestidos de colete anti-gomas e com algema-de-mascar na cintura. Segundos depois uma viatura especial apareceu rasgando a rua com seu som estridente e derrubando dezenas de besouromovéis dos cidadãos comuns. Esta sigla, diferente dos “FDPM-alguma-coisa”, eu não iria esquecer tão cedo: “PEN”, os Prendedores de Norms. Ou os canetas para minha professora de inglês... Segurei novamente por não gritar o nome da minha mãe.

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