O Estranho Mundo de Jim Burthon - Primeiro Dia (parte 4)

 IV
E estava eu preso, sendo nocauteado por milhões de coelhinhos fofinhos que deveriam fazer nossos ovos de páscoa, que deveriam ganhar das tartarugas nas corridas ou até mesmo ajudar o Papai Noel. Eu fui um bom garoto, mereço presente este ano. Mas meu sonho continuava.
O maravilhês era o idioma de todos os moradores da Maravilhândia, e eu não tinha noção do que aquela trupe de coelhos bobões estavam falando enquanto tentavam me amarrar nas algemas-de-mascar. Eram algemas feitas de chiclete em tubos, e a cada uma que eles colocavam eu comia ela e as que estavam no pacote. Eu não sabia o que eles falavam e
como eu não disse nada, eles também não sabiam que eu falava. Aí eu olhei ao meu redor e vi toda a Cogumelândia e pensei: será que um talco anti-fungos pulverizado no centro da cidade seria um atentado terrorista? Será que quando chove, eles usam a água para fazer suco? Quantas cenourarmas os coelhos-oficiais comem por dia? Estas e outras perguntas foram emanando na minha mente, e eu já estava estranhando que não chegava a minha hora de acordar desse sonho louco. Foi então que eu peguei um coelho-oficial de supetão pelas orelhas, arranquei a cenourarma da cintura dele e ameacei a cabeça dele com ela. Ele era fofinho e fraquinho, aparentemente não tinha como reagir ao meu súbito assalto.
Os outros coelhos olhavam para mim agora assustados com a minha ousadia e com medo de que eu faça algum mal contra aquele refém. Nas telas dos cogumelos-prédios, estava estampado meu rosto com toda a ação em cena e ao lado as ruas estavam desertas. Isso foi quando eu comecei a andar para trás puxando o coelho-oficial e o forcei a subir numa motoranja, que eram meio motos, meio laranjas; e apontei para estrada como um sinal para me levar para longe dali.
Ele acelerou a motoranja pelas ruas e o aroma de laranjada estava no ar agora. Acho que nunca havia corrido tanto na minha vida, e foi então que eu ouvi o disparo. “Pooooooooooow!” Esse era um disparo de cenourarma de um coelho-oficial que estava lá atrás, de onde eu fugira. Ele acertou a motoranja, que começou a vazar caldo suculento de madura e nós derrapamos e caímos perto do passeio.
Assim que eu me recompus, o coelho-oficial que eu havia sequestrado já estava de pé e vinha na minha direção, colocando seu longo pé sortudo em cima da minha mão que segurava a arma. Eu tentei puxar de todas as formas, mas ele era mais forte do que eu pensara. Então eu mordi o pé dele, que deu um grito de dor e retirou a pata de cima de mim. Me levantei rápido, mas ele já estava em postura de combate e segurou novamente a mão que estava a arma. Eu tentei dar alguns socos nele, mas ele escapava de todos. Ele tentou me acertar também, mas eu era brigão na escola e consegui escapar de alguns e segurar a pata dele. Foi quando ele colocou os dois pés no meu peito, e me deu o golpe que eu viria a conhecer depois de: Passando o canguru para trás.
Meu corpo voou na parede e eu bati meio nocauteado, maio zonzo. A arma havia caído ao longe e ele tinha ido busca-la. Quando ele se virou, recebeu um projetil de pedra-árvore na testa e sua cabeça voou levemente para trás. Com meu estilingue armado de novo, outro projetil foi lançado sobre o peito dele e para finalizar, aproveitei que ele estava atordoado e tomei velocidade até que cheguei perto em uma voadora de dois pés.
O coelho-oficial bateu com as costas na parede e eu retirei a cenourarma do chão, colocando na minha cintura agora. Quando percebi, haviam muitas viaturas me cercando e eu não tinha muita coisa o que fazer. Nos telões, meu rosto inexpressivo e os rostos dos policiais me dizendo que eu teria de pagar. Aí, sem alternativas eu mirei a cenouranja no modo granada-repolho-roxo em direção ao helicóptero, usando o meu estilingue. Eu atingi o cenourocoptero e os coelho-oficiais não sabiam muito bem o que fazer (com uma chuva de cenoura), até que este caiu em cima de onde estávamos. Aproveitei a confusão para pegar uma capa da polícia para me vestir, umas três cenourarmas e algo que me pareciam moedas-moela e saí da cidade, em uma bicicloito-de-chocolate. Eu era um foragido vida louca.

Comentários

  1. Gente, o Primeiro Dia de Jim Burthon serão sete partes. Garanto que continuará do mesmo jeito (louco rsrsr) e estou na metade do Segundo Dia. Pretendo escrever e dar o final no Terceiro Dia, e dou minha palavra que será surpreendente.

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